sábado, 18 de dezembro de 2010

Na Vontade


Sinto-me na obrigação de criar.

Cria minha que cresce;

Adotada sem protocolos;

Sem nenhum nome;

Livre de qualquer dono.


É a genética bruta;

Saboroso papel em branco,

Tentação para qualquer criador;

Parque de diversão,

De qualquer criação;

Solta para evoluir, borrar;

Desfazer ou replanejar.


Despejar sonhos em linhas retas,

Mesmo que a vida esteja nas tortas;

Fazer novos portadores de sonhos;

Nesse vírus que constrói,Cria e constrói.


Indo e vindo eterno;

Sempre naquela obrigação;

De não viver nenhuma isolada criação;

Mas serem todas elas, uma só prosopopéia.

Thyago Barreto Vasconcelos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

De repente um bocejo


Na seqüência

Deixo a carta

Que antes de amor

Agora provocação


Me infesto das idéias

Dignas do mérito

Da inutilidade dos fatos


Esqueço alguns passos

Perco o ritmo

Entre pernas trocadas

a ausência do chão


Me surpreendo nas oportunidades

Me iludindo de conseqüências

Julgando que cada movimento

Será o estouro da represa

Que trará a mudança desta encarnação de sonhos.


Para sempre criar

Para sempre mudar

Para sempre chegar em algum lugar.

Thyago Barreto Vasconcelos

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Conceito e Carinhos



Até que enfim

Agora muro firme

Ainda que vulnerável

Permanece intocável


Porém no acaso

O olhar sutil

Deita meu escudo

E num gesto gentil

Um sorriso mútuo e abobado


Entre os mimos

E perfis lançados

A tentativa de errar

De vacilar na culpa

Por não saber amar


E as desculpas

Jogam-se ao mar

Ondas de medo

Criadas pelos ventos

De cada momento

Que teima em retornar


Fecho os punhos

Mordo os lábios

La vem o beijo

La vem o abraço

To pronto para saltar


Aprofundar-me

Em teus olhares

Embaraçar-me

Em teu corpo

Sem deixar espaço

Para respirar


Carne fraca

Mente forte

Coração mole


Sem ar e sem palavras

Entre os lençóis

A canção de ninar

Por Thyago e Leonardo Jr

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conquista


Trilho todo o caminho

De um estudante irregular

Aprendo a ser pego

Brincando com o tempo

Por algumas fraturas

Que irão passar


Estudo alguns acasos

Para, por acaso,

Um dia te encontrar

Sendo o verso fraco

De uma historia

que iremos inventar


Seja bela ou fera

Não me importa o final

Será esse um happy end

Que tende a ficar

Pois, assunto persistente

Não é um ponto que irá parar

Thyago Barreto Vasconcelos

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dando Bandeira


Adentrava no verde
De vasta paixão atlântica
Caminhando em alerta
Sempre pronto para sambar

Nas mãos nuas
Sufocava no peito
O medalhão amarelo ouro
Na esperança que o tesouro
Traria proteção internacional

Então, esse índio negro
Acordado pelas lágrimas
Nos olhos azuis
Vê no espelho
A próxima cor a sumir
Da sua bandeira nacional

Thyago Barreto Vasconcelos

sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Pior de Todos"


Era construção alta

Descrita por vários

Vivida por alguns

E fazia sorrir


Era prédio grande

Fortemente armado

Protegendo a todos

E ainda fazia feliz


Era sempre inabalável

Abalando a poucos

Chutando a outros

E seguia destemido


Eras tendem ao fim

E os limites ao desgaste

As obras dão inicio

E as idéias ficam abaladas


Resta a vontade de erguer

A audácia de tentar

A coragem de persistir

E tudo é novo e forte

Mais uma vez...


Thyago Barreto Vasconcelos

domingo, 4 de julho de 2010

Quebrando Conceitos


Caminhava sem descrição

Criando mundos de colisão

Ilusões em teste de fatos

Será uma dor de parto

Para partir das metas contidas

Rumo às idéias metidas ao desacato.


Desfaço as malas

Desamarro os cadarços

Visto-me ao contrario

E o quadro torto da sala

É minha obra de arte final.


Pois é do escuro para luz

No momento de desapego

Que a escuridão retorna

Por mais iluminado que seja lá fora.


Thyago Barreto Vasconcelos

sexta-feira, 18 de junho de 2010

No Meio do Rio


E era assim

No meio do rio

Algumas fotografias

E o vai e vem


No chão um pouco do certo e do não

Era daquele jeito um sossego

Alternado para o que não chegava

Era até escravidão


E no meio do sermão

Não se via a quem

Mas o que de alguém

E o quem deixava de existir além

Para nascer e morrer ali


Então a chuva vinha

E dali, já só, não findava

Com as gotas de gratidão

Que os olhos demonstravam

Na tentativa de convidar a nuvem a ficar


Thyago Barreto Vasconcelos

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"A vida e o amor"


"E no descuido do que lia

Expressava-me grato

Como lascivo erudito

Por conter em cada passo

A história e a poesia

Exaltado pela bibliografia

Citadas em cada curva

Descritas em cada esquina

Via-me a questionar o que escrevia

E de fato, o feto que ali nascia

Era frase, fruto belo que crescia

Cultivado da arte da guerra

Resgatado do seu florete

Retalhando em mil palavras

A única verdade indestrutível"

Thyago Barreto Vasconcelos

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Arremessando o Tempo no Espaço

“Corre do topo e tropeça

Leva, desmonta e levanta

Segura o tempo nas mãos

Observa, procura, constrói

E arremessa com cuidado

Com a força do sangue.


E o tempo voa na rota

Vai rápido, mas agora sagaz

Desbravando o espaço de culpa

Pulando as desculpas

Na constante dos abraços

Ao o alvo cravado no peito.


Através de berros de vitorias

E lagrimas de historias

Agarra-se na coragem

E se lança no impulso final

Destinado para ser o fim

E o começo do próximo voar do tempo.”

Thyago Barreto Vasconcelos