domingo, 22 de maio de 2011

TEMPO BOM NOS BONS TEMPOS DE MENINO

Desacatado coração latino;
No despertar matutino;
Desagrega beijos e abraços;

Desconta toda raiva que vive;
Desmente o que não é sentido;
Descobrindo não ser mais menino;

Menino que perdia bola;
Mentia e colava na prova;
Menino, desatino menino;

Libertino coração desatado;
Num amar desajeitado;
sobrevive na manhã seguinte;
Solene e Sonolento Sentir;

O menino que sabia amar;
Em prosa ou verso;
Desculpa-se do resto;
Restando, da pena, o silenciar.

Menino  perdendo prova
Menino Pulando corda
Menino sendo menino
será capricho do destino 
se ainda souber amar.
Thyago Barreto Vasconcelos

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Amor Artesanal


É tapa soluto em sorriso
à mordida degustada entre lábios.
É dor desmanchada na boca
marcada por suspiros mais altos.

É vontade agarrada ao não,
É talvez provocando o sim.
É a resposta que se diz quieta
no aventurar do tato.

É roupa despedindo-se do corpo
É corpo despindo-se abobado
nos olhos descansados da vaidade
É no resultado do que restou
na ternura do abraço.

Convém desfrutar;
reter; soltar; prever; 
oscilar no bom mal querer 
pronto para proclamar,
no contexto deste seio,
todo o amor produzido 
em poucas vogais.

Thyago Barreto Vasconcelos



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Se vai enganar, engana-se


é fato oculto
cultuar a mentira
tirar dali a verdade
arte inocente de criar

uma culpa cuidada
desocupada da moral
uma desculpa ruidosa
devorando a falta que faz

nossa disputa real
travada por algoritmos
no ritmo fúnebre
de uma morte cerebral

fundada brevemente
na sorte que escapa
expondo no rosto
a capa rasgada da mente
antes demente e sagaz

Thyago Barreto Vasconcelos

terça-feira, 10 de maio de 2011

Rabisco Meu


nada mais, nada menos
só bastava acreditar
amor, amar, amei
ilusão gostosa de crer

já não me vejo por lá
os casos que passaram
acasos que nem chegaram a passar

livre caminho por ali
sentindo e vivendo
sem deixar vir, ver e ir

intocável até que provoquem o contrario
é o contexto fiel
ao meu eterno parágrafo
muito longe de qualquer ponto final.

Thyago Barreto Vasconcelos